quinta-feira, novembro 22, 2007

Por vezes a ignorância sabe melhor


Como pode existir um fim antes do princípio?


Existem verdades que muitas vezes preferia não saber. Preferia viver na ignorância… mas enfim não se pode evitar. Mesmo sabendo que essas verdades só podiam ser verdades, mas quando a confirmação chega, volto a dizer preferia viver na ignorância.
Mas tambêm sempre foi assim porque é que agora seria diferente.
Será errado alimentar esperanças que no fundo se sabe que não são verdade? – eu digo que por vezes sim, prefiro muitas vezes ser burro e não querer ver o óbvio, pois pelo menos vivo de esperança e agora vivo do nada.

“… anoitece devagar. anoitece sobre os ombros. anoitece onde não estou e em redor de meu corpo, anoitece por dentro dos objectos que evocam a tua presença. a penumbra invade a casa, corrói tudo o que é sólido. dantes, a solidão vergava-me, mas com o passar dos anos povoei-a com sorrisos, corpos, pequenos gestos que aderem à memória e me dizem que existo, que continuo vivo onde pressinto o coração a arder. é o ouro que se ganha quando se aprendeu a estar sozinho, tem-se tudo e não se possui nada. o que restava da memória foi partilhado ou foi abandonado para sempre. tudo o está constantemente presente e vibra sob a luminosidade imperceptível de ser eterno na fracção de segundo. se morresse agora não deixava nada, porque bebi toda a minha sede, esvaziei-me, devorei noites esse amargo que têm as coisas antes de nos pertencerem. teu corpo, por exemplo custou-me tanto inventar-lhe formas consistentes, um reflexo, uma sombra que se lhe adaptasse e o acompanhasse. teu corpo vive hoje dentro do espelho onde se perdeu o meu.”

Al Berto – O Medo

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